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11 de setembro de 2020

Saúde mental - conscientização, uma estratégia preventiva do suicídio

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Setembro Amarelo

Saúde mental - conscientização, uma estratégia preventiva do suicídio

Marina Heinen, psicóloga (CRP 07/28154), mestre em Psicologia Clínica e doutoranda em Psicologia, faz parte do corpo clínico do Centro de Especiliadades em Saúde Mental do Círculo, e fala sobre a atenção que devemos dar para o chamamento que o "Setembro Amarelo" faz.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) definiu oficialmente o dia 10 de setembro como o dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. No Brasil, a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e o Conselho Federal de Medicina (CFM) promovem anualmente a campanha denominada Setembro Amarelo. Esses movimentos felizmente existem para defender a importância de falar sobre o suicídio, disseminar conhecimentos científicos, elencar fatores de risco associados e discutir diferentes formas de prevenção do suicídio.

Por que é importante falarmos sobre o suicídio? O suicídio é considerado uma questão de saúde pública. Dados da OMS sinalizam que há cada 45 segundos ocorre um suicídio no mundo, sendo uma das principais causas de morte em indivíduos com idade entre 15 e 29 anos. Se observarmos os dados do nosso país, o Brasil está entre os dez países que registram os maiores números de suicídios.

Frente a esses dados, as companhas criadas são espaços imprescindíveis para dialogar sobre a temática do suicídio, com o objetivo principal de atentarmos para os números alarmantes de casos de suicídio e, assim, pensarmos em maneiras de prevenir e conduzir pessoas em risco. E isso pode ser feito além do mês de setembro.

Uma estratégia preventiva do suicídio é a conscientização sobre o que envolve a temática do suicídio. Sendo assim, acredito ser importante desmistificar algumas colocações comuns e errôneas sobre o suicídio:

- “Falar sobre suicídio pode estimular que a pessoa se mate”

FALSO - Falar sobre suicídio não aumenta as chances das pessoas se matarem. Pelo contrário, falar sobre suicídio pode aliviar angústias e sofrimentos.

- “As pessoas que ameaçam se matar não farão isso e só querem chamar a atenção”

FALSO - A maioria dos suicidas dão sinais, falam e expressam de diferentes maneiras a vontade de morrer. Não é fressura e não é para chamar a atenção, normalmente essas falas são pedidos de ajuda e precisam ser escutados.

- “Se um indivíduo sobrevive a uma tentativa, está seguro”

FALSO - Precisamos atentar para as semanas seguintes à tentativa de suicídio, visto que a pessoa que tentou suicidar-se está vulnerável. Assim, deve ser conduzida à um profissional qualificado e manter-se em segurança.

Outra maneira de conscientizar é abordar os sinais que podem alertar para o risco da pessoa cometer suicídio, como as mudanças de comportamento (mais retraído e isolado), maior irritabilidade, perda de interesses, sentimentos de solidão e desesperança. Além disso, apresentar um transtorno mental, tentativas anteriores de suicídio, alcoolismo e exposição à violência são fatores que podem associar-se ao suicídio.

 A fim de auxiliar as pessoas que conhecem um familiar, amigo ou conhecido que está pensando em se matar, o Dr. Neury Jose Botega, especialista e autor de livros e artigos sobre a temática do suicídio elenca a sigla ROC, que forma um acrônimo sobre o que devemos fazer quando estamos diante de uma pessoa em risco:

R – Repare no risco, ou seja, não interprete os sinais como se não fossem nada. Observe e fique atento às mudanças de comportamento.

O - Ouça com atenção. Mostre-se disponível, ouvindo mais e falando menos. Sem julgamentos, pressa ou conselhos.

C - Conduza ao tratamento com um profissional qualificado.

É preciso conscientização de que o suicídio é uma questão complexa e merece atenção. Por isso, para prevenir precisamos abrir espaço para diálogos, informar, acolher e proteger as pessoas em risco. Busque ajuda de um profissional qualificado. E, se preciso, ligue para o número188. Esse é o telefone do Centro de Valorização da Vida, um canal de acolhimento e orientação para pessoas em risco e sofrimento.

Fonte: Centro de Especialidades em Saúde Mental

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